sábado, 20 de fevereiro de 2010

Números em debate

Comparações de desempenho entre os respectivos governos são usadas de modo enganoso por petistas e tucanos

POUCO A POUCO , vão surgindo algumas tentativas de aquecer o debate sucessório. Tarefa difícil, dadas não só semelhanças de perfil entre os dois principais postulantes à presidência da República, José Serra e Dilma Rousseff, mas também devido ao processo cumulativo de diluição das diferenças ideológicas entre o PT e os partidos de oposição.

Não admira, portanto, que a candidatura Dilma procure reforçar, no plano retórico, algumas palavras de ordem destinadas a reacender o entusiasmo estatista em setores do PT, procurando identificar a oposição com teses neoliberais.

Ao mesmo tempo, a estratégia oficial é a de mergulhar mais do que nunca nas alianças fisiológicas, e não desdenha de conquistar forças situadas ao centro e à direita do espectro político.

A coreografia, é supérfluo dizer, não traz nada de muito empolgante para a maioria dos eleitores. Desse modo, a procura de diferenças entre as candidaturas se volta para as comparações administrativas entre Lula e FHC.

Em reportagens recentemente publicadas pela Folha, o jornalista Gustavo Patu tem se encarregado de desfazer as manipulações numéricas a que recorrem tucanos e petistas.
Adepto intrépido das comparações, Fernando Henrique vangloriou-se, por exemplo, da queda das taxas de pobreza em seu governo. Não foi bem assim, demonstra a reportagem. Depois de cair 7 pontos percentuais com o Plano Real, a porcentagem da população pobre manteve-se estável, em torno de 28%, de 1995 a 2002, sob a gestão FHC.

Enquanto isso, o presidente Lula exterioriza dados enganosos com a mesma sem-cerimônia. Sobre educação, por exemplo, apontou que os gastos previstos no orçamento saltaram de R$ 20 bilhões para R$ 60 bilhões em seu governo; na verdade, a verba para 2010 está prevista em R$ 51 bilhões, e corresponde a 8% dos gastos totais da União -pouco acima dos 7,3% investidos no começo de sua gestão.

Exemplos desse tipo advertem para os enganos que podem advir cada vez que se utilizam dados técnicos, de interpretação muitas vezes complexa, para fins de propaganda eleitoral.
Deve-se considerar, sobretudo, a presença de um processo cumulativo, pelo qual avanços em um dado período fornecem a base para um progresso posterior. Sem desqualificar o interesse concreto e objetivo de comparações desse tipo, seu alcance é limitado.

Não apenas porque se prestam a manipulações -que cabe sempre desmistificar- mas também porque não substituem o confronto entre programas e propostas para o futuro. Coisa que governo e oposição estão ainda a dever ao eleitorado.

Fonte: Editoriais da Folha de São Paulo

Arruda se complica mais: MPF o acusa de falsidade ideológica

Uma nova denúncia contra José Roberto Arruda (sem partido), governador afastado do Distrito Federal, foi apresentada na sexta-feira ao Superior Tribunal de Justiça pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e pela subprocuradora-geral, Raquel Dodge. A informação foi divulgada neste sábado.

Arruda é acusado de inserir informações falsas em quatro documentos entregues à Justiça declarando o recebimento de dinheiro de Durval Barbosa. Para eles, os documentos não possuem data e atestam o recebimento de dinheiro para "pequenas lembranças e nossa campanha de Natal" no valor de R$ 20 mil no ano de 2004, R$ 30 mil em 2005, R$ 20 mil em 2006 e R$ 20 mil em 2007. O s documentos teriam sido elaborados, imprimidos e assinados pelo governador no dia 28 de outubro de 2009, na residência oficial em Águas Claras.

De acordo com a denúncia, eles foram rubricados por Durval Barbosa, que os entregou à Polícia Federal no dia 30 de outubro, quando declarou que não doou a Arruda o dinheiro que o governador afirma ter recebido nos documentos.

Segundo Gurgel e Raquel Dodge, a intenção de Arruda foi alterar a verdade sobre as investigações do inquérito. "A moralidade administrativa e a ética pública estão corrompidas pela conduta ilícita atribuída nesta ação penal ao governador Arruda e pelos indícios de corrupção de parlamentares existentes no inquérito nº 650-DF. A gestão da coisa pública precisa ser preservada, para impedir que recursos públicos sejam desviados e que outras testemunhas sejam corrompidas", diz o documento. A denúncia requer a condenação de José Roberto Arruda quatro vezes por falsidade ideológica, com aumento de pena pelo fato de ele ser funcionário público.

Fonte: Portal Terra

"Meu tempo de clandestinidade acabou", diz Dirceu

Quatro anos após ser cassado pela Câmara dos Deputados e dois anos e meio após ser declarado réu sob acusação de chefiar o esquema do mensalão, José Dirceu, 63, centralizou atenções na manhã de ontem, na abertura do congresso petista, dizendo que participará ativamente da campanha de Dilma Rousseff, subindo em palanques e negociando alianças.

"Meu tempo de clandestinidade acabou", afirmou o ex-ministro, dizendo que fez 70 visitas aos Estados em 2009 devido a convites que recebeu de partidos aliados e dos governadores.

Sorridente, mais magro do que o habitual, Dirceu disse ainda que não acredita que o seu apoio represente ônus para a petista: "Até agora tenho sido absolvido em todos os julgamentos. No Supremo Tribunal Federal [onde foi declarado réu em 2007], espero ser julgado no ano que vem", disse.

Dirceu fez prognósticos de crescimento da candidatura de Dilma. E, à vontade, o ex-deputado brincou com militantes, entre eles a economista Maria da Conceição Tavares. "Dá licença, que agora vou conspirar um pouco", disse ele. Ao que comentou Tavares, 80, depois que ele saiu: "Conspirar é a vocação natural desses meninos".
Questionada sobre o apoio de Dirceu, Dilma Rousseff respondeu que "todos os dirigentes do PT, todos os militantes do PT são bem-vindos".

Dirceu não quis responder às críticas de Ciro Gomes (PSB), que o acusou de patrocinar golpes nos Estados e de trabalhar para destruir Lula. "O Brasil todo sabe que passei a vida toda tentando destruir o Lula", ironizou. Negou que tenha estimulado o PT do Ceará a lançar candidatura rival ao governador Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, caso este mantivesse sua postulação à Presidência.

Dirceu foi eleito para o Diretório Nacional do PT em 2009, mas não integrará a Executiva, embora tenha sido convidado.

Fonte: Sucursal da Brasília / Folha de São Paulo

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Ibope: Serra cai e Dilma sobe 8%



Pesquisa Ibope/Diário do Comércio, encomendada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e realizada entre os dias 6 a 9 deste mês, indica que a corrida à sucessão presidencial de outubro continua polarizada pelos pré-candidatos do PSDB e do PT, respectivamente o governador de São Paulo, José Serra, e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Nessa mostra, Serra tem 36% das intenções de voto e Dilma 25%. Em terceiro lugar está o deputado federal Ciro Gomes (PSB) com 11%, seguido da senadora Marina Silva (PV) com 8%. O porcentual de votos brancos e nulos somou 11% e dos que disseram não saber em quem votar atingiu 9%.

A última pesquisa divulgada pelo Ibope foi no dia 7 de dezembro do ano passado. Na mostra, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Serra registrava 38% das intenções de voto, seguido de Dilma Rousseff com 17%, Ciro Gomes com 13% e Marina Silva com 6%. Naquela pesquisa, o porcentual de votos brancos e nulos atingiu 13% e dos que disseram não saber em quem votar ou não quiseram responder somou 12%.

No cenário sem Ciro, a pesquisa aponta José Serra com 41%, Dilma Rousseff com 28%, Marina Silva com 10%, brancos e nulos 12% e não sabem ou não opinaram 9%.

Na simulação de um eventual segundo turno entre José Serra e Dilma Rousseff, o tucano lidera com 47% e Dilma registra 33%.

A pesquisa foi realizada no período de 6 a 9 de fevereiro, ouviu 2002 eleitores em 144 municípios de todo o Brasil e tem margem de erro de 2%.

Fonte: Diário do Pará / AE / Uol

Lula silencia há 3 meses sobre mensalão

Há mais de três meses o STF (Supremo Tribunal Federal) aguarda respostas do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva a perguntas sobre o conhecimento dele dos fatos apontados na ação penal do mensalão e sua relação com os réus no processo.

As questões foram elaboradas pelo Ministério Público Federal, que é o autor do processo em andamento no STF sobre a suposta compra de apoio de partidos e políticos pelo PT entre 2002 e 2005.

Leia a íntegra da petição encaminhada a Lula com o questionário sobre o mensalão federal

Por Flávio Ferreira / Folha de S.Paulo

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Quem quer ocupar o espaço de Arruda?

Aprovado pedido de impeachment de Arruda

Por unanimidade, 5 votos a zero, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara Legislativa do Distrito Federal autorizou a abertura dos processos de impeachment nesta quinta-feira (18) contra o governador licenciado e preso há uma semana, José Roberto Arruda (sem partido). Ele é acusado de crime de responsabilidade e improbidade administrativa.

O parecer que aprovou os pedidos de impeachment foi lido pelo relator da CCJ, Batista das Cooperativas (PRP).

Esta é apenas uma das etapas passadas para o caminho da perda dos direitos políticos de Arruda. Após a aprovação do relatório, será formada uma Comissão Especial, formada por nove integrantes, mas o número pode variar conforme indicar o presidente da comissão.

A expectativa dos deputados é de que ainda nesta quinta-feira sejam eleitos o presidente e o relator dessa comissão, que terá o prazo de 10 dias corridos para apresentar um parecer que deverá ser votado em plenário pelos 24 deputados distritais. O resultado dessa análise sairá a partir da decisão da maioria simples (50% mais um voto), dependendo do número de parlamentares presentes na votação.

Uma vez aprovada em plenário, o caso volta a ser tratado na Comissão Especial que dará um prazo de 20 dias corridos para que o governador afastado apresente sua defesa. Depois de apresentada a defesa, serão cumpridas diligências, quando testemunhas poderão ser ouvidas e documentos apresentados.

Ao final deste trâmite, começa a correr um novo prazo de 10 dias corridos aos deputados para elaborar um outro parecer sobre a procedência ou não do pedido de impeachment.

Se o parecer for favorável, o governador Arruda é afastado por até 120 dias, período em que será criado um tribunal especial misto composto por cinco deputados e cinco desembargadores do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. Estes, enfim, definirão se Arruda sofrerá ou não um impeachment (impedimento definitivo). Com isso, ele perderá os direitos políticos por cinco anos. Mesmo se Arruda renunciar, a Câmara Legislativa poderá seguir com o processo contra ele.

Leia mais no UOL Notícias / Brasília

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Brasília-DF - mais lama e confusão.

Os próximos dias reservam novos, quentes e apimentados acontecimentos em Brasília. A folia de Carnaval não conseguiu esfriar os ânimos de ninguém. Arruda preso e sem previsão de ser liberado imediatamente. Paulo Otávio (DEM), governador interino, com a faca no pescoço. Deputados da câmara distrital do DF afastados ou na alça de mira. Os Demos querendo a todo custo acabar com a crise. A oposição aproveitando para tirar proveito da situação. A OAB, STJ, ministérios públicos e outras entidades querendo ver o país e Brasília um pouco mais saneados da corrupção enraizada em suas entranhas. Joaquim Roriz sonhando em voltar ao governo, ... Todos prestando a atenção ao que acontecerá no DF. Muitos com medo de serem atingidos pela grande crise: demos, tucanos e até petistas, que não querem que os mensalões e mensalinhos e outros escândalos venham novamente à tona.

Faltam sete meses para as eleições e o resultado da crise do DF irá respingar nos resultados regionais e nacionais.

Acompanhe um pouco o que o Blog do Josias traz de novidades.

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"Nós não podemos mais ficar sangrando. Não dá mais."
Ronaldo Caiado (Deputado-DEM)

Ameaçado de impechment no Legislativo e de intervenção federal no STF, Paulo Octávio (DEM) ganhou um problema novo.

O deputado Ronaldo Caiado e o senador Demóstenes Torres, ambos do DEM de Goiás, formalizarão o pedido de expulsão de Paulo Octávio do partido.

A petição será levada à próxima reunião da Executiva nacional do DEM. Ocorreria nesta quinta (18). Mas foi adiada para terça (23) da semana que vem.

“Além da expulsão do Paulo Octávio, vamos requerer a destituição do diretório do DEM no DF”, disse Caiado, em entrevista ao blog.

A providência pode chegar tarde. No comando do governo do DF desde que José Roberto Arruda foi preso, Paulo Octávio administra o imponderável.

Investigado no mesmo inquérito que levou Arruda à ruína política, Paulo Octávio passou a considerar a hipótese de renunciar ao cargo.

Com ou sem renúncia, Caido afirmou, a expulsão “será solicitada de qualquer jeito”.
Clique e leia a entrevista no blog do Josias.

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Cúpula do DEM teme que Arruda abra a boca e o baú

A informação de que o STJ estava prestes a decretar a prisão de José Roberto Arruda chegou à cúpula do DEM na véspera, com antecedência de quase 24 horas.

Alertados, integrantes da Executiva do partido analisaram em segredo os efeitos do terremoto brasiliense sobre a sigla.

No centro da encrenca estava Paulo Octávio, um filiado que o DEM evitara lançar ao mar em dezembro do ano passado, quando o panetonegate explodira.

A iminência da prisão de Arruda reacendeu uma divisão que eletrifica os subterrâneos do DEM. A tribo ‘demo’ está cindida em dois grupos.

De um lado, a turma do “mata-e-esfola”. Do outro, a ala do “deixa-como-tá-pra-ver-como-é-que-fica”.

Foram à mesa algumas propostas. Entre elas a dissolução do diretório do DEM-DF e o desembarque coletivo dos filiados da legenda dos quadros do GDF.

Um dos participantes das conversas contou ao repórter uma passagem emblemática.

A certa altura, um dirigente do DEM disse que, antes de tomar qualquer providência, conviria ouvir o vice-governador Paulo Octávio, mandachuva da legenda no DF.

Abespinhado, um senador interveio: “Você não está entendendo. O Paulo Octávio tem que ser expulso do partido”.

Lero vai, lero vem o DEM optou por administrar a crise a golpes de barriga. No dia seguinte, quinta-feira (11) da semana passada, sobreveio a prisão de Arruda.

E o vice Paulo Octávio foi à cadeira de governador. Reacendeu-se o incêndio que o DEM imaginara ter apagado em dezembro, no alvorecer do escândalo.

O DEM tenta apregoar a lorota de que lida com o seu mensalão com um rigor que o PT não foi capaz de imprimir ao mensalão dele. Porém...

Porém, a firmeza do DEM tem a consistência de um pote de gelatina. Mesmo a exclusão de Arruda foi às manchetes com a forma de uma pseudoexpulsão.

A Executiva do partido deu tempo a Arruda para recorrer ao Judiciário. Malogrado o recurso, o DEM deu prazo ao governador para se desfiliar, antecipando-se ao vexame da expulsão.

De resto, a cúpula do DEM decidiu fingir que Paulo Octávio estava limpo. Uma ilusão que se desfaz nos desvãos do inquérito do panetonegate.

Para complicar, em pleno recesso do Congresso, o diretório brasiliense do DEM, comandado por Paulo Octávio, saiu-se com uma nota de apoio ao pseudoexpulso Arruda.

Liderada por Demóstenes Torres e Ronaldo Caiado, a turma do “mata-e-esfola” voltou à carga.

Acenou-se com a hipótese de dissolução do diretório de Brasília e abertura de processo contra Paulo Octávio. Sob o barulho, vicejou, de novo, a inação.

Como explicar? Simples: o pedaço do DEM adepto à tese do “deixa-como-tá-pra-ver-como-é-que-fica” lida com a crise movida pelo medo.

Medo de que Arruda, agora hospedado no PF’s Inn, resolva abrir a boca e o baú que armazena os segredos financeiros do DEM.

Único governador eleito pela legenda em 2006, Arruda tornou-se um grande provedor do DEM.

No pleito municipal de 2008, a máquina ‘demo’ de Brasília borrifou verbas nas arcas de comitês de campanha instalados em várias partes do país.

Arruda ajudou a forrar, por exemplo, o caixa de campanha de Gilberto Kassab, o prefeito ‘demo’ reeleito em São Paulo.

A direção do partido alega que todo dinheiro vindo de empresas fornecedoras do GDF ingressou nos livros do DEM pela porta da frente, mediante recibo.

A turma de Arruda insinua que a coisa não foi bem assim. Uma parte do dinheiro teria transitado por baixo da mesa. As hesitações da direção do DEM tonificam as suspeitas.

Paira no ar a impressão de que, se resolver destravar os dois ‘Bs’ que lhe restam (boca e baú), Arruda pode produzir um novo escândalo, tão devastador quanto o primeiro.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Edmilson: falta coerência no governo de Ana Júlia

Primeiro petista a administrar a capital paraense, Edmilson Rodrigues está de volta à cidade depois de cinco anos morando em São Paulo, onde começou -e está a prestes a concluir - o doutorado na área de Geografia Humana. Uma das principais lideranças do PSOL no Estado, Rodrigues não sai candidato desde 2006, quando disputou o governo do Estado. Nas eleições municipais do ano passado resistiu aos apelos e, apesar de aparecer bem colocado em todas as pesquisas de intenção de voto, não disputou a prefeitura de Belém, alegando que precisava se dedicar aos estudos. Neste ano, contudo, o ex-prefeito estará novamente na arena eleitoral.

Edmilson Rodrigues foi um dos fundadores do PT do Pará. Pelo partido, foi deputado estadual e eleito prefeito. Em outubro de 2005, contudo, deixou a legenda que, segundo ele, havia abandonado o sonho socialista. Ajudou então a fundar o Psol, legenda da ex-senadora vereador em Maceió (AL), Heloísa Helena.

Em entrevista as repórteres Rita Soares e Aline Brelaz, Edmilson fala da conjuntura nacional e critica o governo da ex-colega de partido, Ana Júlia Carepa, que foi sua vice na prefeitura de Belém. Mas garante: ainda não sabe qual cargo disputará.

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Em busca de votos no ritmo do axé

Salvador foi a segunda parada de José Serra e Dilma Rousseff pelo circuito carnavalesco, depois de Recife. Animada, a ministra avisou ser capaz de arriscar passos do hit rebolation

Salvador — Com 2 milhões de pessoas nas ruas neste carnaval, há quem prefira participar da folia no ambiente mais tranquilo dos camarotes, mas mesmo nesses locais, é grande a agitação. Quem está ali, além de assistir aos desfile dos blocos, se joga nas pistas de dança no embalo de ritmos que não têm nada a ver com a axé music.

Um dos mais badalados camarotes foi o da cantora Daniela Mercury, onde esteve na noite de sábado, vindo de Recife, o governador de São Paulo, José Serra, provável nome do PSDB à disputa presidencial. Daniela, que desfilou num trio independente levando a bordo uma orquestra sinfônica composta por 40 músicos, não pôde recebê-lo. A recepção foi feita pelos líderes do PSDB e do DEM. Serra, cercado por seguranças, instalou-se na varanda de frente para o mar e ficou no camarote até a passagem de Daniela pela avenida. Ele foi reconhecido apenas por alguns foliões.

Já a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que também foi a Recife no sábado pela manhã, visitou à noite o terreiro de Mãe Hilda, a matriarca do Ilê Aiyê, no bairro da Liberdade em Salvador. Ela recebeu uma chuva de pipocas e soltou uma pomba branca.

Ontem, Dilma acompanhou os desfiles dos trios no camarote do governo da Bahia e ainda disse que arriscaria passos do hit do carnaval: "Eu acho que cada um de nós, se treinar um pouquinho, faz o rebolation", brincou. Já Serra, mais introvertido, disse que, em público, seria difícil: "Eu não vou me arriscar publicamente. Vou treinar sozinho", garantiu. O governador curtiu a festa ontem em um camarote particular.

A turma que assistia à passagem dos trios no camarote do governo da Bahia ontem foi ao delírio quando Ivete Sangalo, ao avistar Dilma ao lado de Jacques Wagner, lançou uma nova versão do sucesso Cadê Dalila, e mandou no refrão: "Vai buscar Dilminha... vai buscar Dilminha ligeiro." Já a Serra a cantora recomendou usar filtro solar para se proteger do sol.

Por Irlam da Rocha Lima / Correio Braziliense

Governador, sem TV, não vê desfile que ajudou a pagar


O governador afastado José Roberto Arruda (sem partido) não pode assistir ao desfile da Beija-Flor, a escola em que o seu governo injetou R$ 3 milhões de patrocínio para encenar, na avenida, o enredo alusivo aos 50 anos de Brasília. Por precaução, a Polícia Federal retirou o aparelho de TV da sala onde ele está recolhido, o gabinete da Diretoria Técnico-Científica (Ditec). Pela programação da Sapucaí, a Beija-Flor deveria encerrar o desfile do primeiro dia, na madrugada de hoje.

Preso há três dias, por tentativa de corrupção de testemunha no inquérito que investiga o mensalão do DEM, Arruda estava ontem deprimido, segundo relato das poucas pessoas que tiveram contato com ele e evitou receber visitas. "Está abatido, sim, mas melhorando", disse o advogado Thiago Bouza.

Ele quis saber como estava o sobrinho Rodrigo Arantes, preso na penitenciária da Papuda, sob a mesma acusação. Um dos poucos recebidos foi o cunhado Fábio Peres, que levou as refeições.

Por Vannildo Mendes / O Estado de São Paulo

Recibos vinculam direção do DEM a esquema, diz PT

Para deputados do PT, a apreensão de recibos de doações eleitorais para o diretório nacional do DEM na casa oficial do governador afastado do DF, José Roberto Arruda (sem partido), comprova a ligação da direção do partido com o mensalão do Distrito Federal.

Conforme revelou a Folha ontem, os recibos encontrados pela Polícia Federal no anexo da residência oficial do governador (que deixou o DEM logo após a deflagração da crise) foram assinados pelo tesoureiro da Executiva Nacional da sigla, Saulo Queiroz. Estavam em um armário usado por Domingos Lamoglia, então chefe de gabinete de Arruda.

Lamoglia é suspeito de arrecadar propina, que, segundo a PF, ficava com o governador e também era usada para pagar deputados distritais da base aliada em troca de apoio na Câmara do DF.

As doações, num valor de R$ 425 mil, são de empresas que fecharam negócios com o governo da capital na gestão Arruda. A Antares Engenharia, que contribuiu com R$ 150 mil, afirmou à Folha que não pediu nem recebeu qualquer comprovante da doação. A construtora Artec, que doou R$ 275, não quis se manifestar.

Para o deputado federal Geraldo Magela (DF), tanto Arruda quanto o governador interino, Paulo Octávio, estão "umbilicalmente ligados ao DEM". "As impressões digitais estão por todos os lados. É uma vinculação permanente."

O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou que, "por mais que o DEM tente se desvincular" da crise do mensalão do DF, "eles já foram extremamente prejudicados". "Todo o resto que vier, como a apreensão das notas, também vai ter consequências."

Pré-candidato petista ao governo do DF, o ex-ministro do Esporte Agnelo Queiroz disse que o caso tem de ser investigado com profundidade. "Essas notas deveriam estar na tesouraria do DEM e nunca na residência oficial do governador. Isso tudo é no mínimo esquisito."

Jogo político

Já lideranças do DEM nacional ouvidas pela Folha afirmaram não ver irregularidades na apreensão dos recibos do diretório nacional na residência de Arruda. Ressaltaram que as doações foram legais e contabilizadas. "Está claro que estão tentando jogar isso tudo no nosso colo", afirmou o deputado federal Antônio Carlos Magalhães Neto (BA).

O tesoureiro da Executiva Nacional do DEM, Saulo Queiroz, afirmou que havia enviado os recibos para as empresas doadoras. Disse que era estranho o fato de os documentos estarem com o governo do DF. Segundo ele, poderia haver interesse das empresas em comprovar as doações partidárias.

Da Sucursal de Brasília da Folha de SP

Intervenção já!

BRASÍLIA - O Palácio do Planalto não deseja, tentará evitar, mas a intervenção no governo do Distrito Federal seria, hoje, a melhor solução para debelar a crise política e administrativa que tomou conta da capital do país.

Ninguém mais, na linha sucessória do GDF, inspira credibilidade e confiança plena para assumir o comando do governo e colocar a casa em ordem. Todos serão alvo de suspeitas e investigações, que vão imobilizá-los e comprometer o funcionamento do governo.

Na ponta, quem sairá ainda mais afetada é a população do Distrito Federal, cada vez mais indignada a cada nova cena de farta distribuição de dinheiro público -e novas imagens existem, basta surgirem oportunidade e conveniência para se tornarem públicas.

Caberá ao STF (Supremo Tribunal Federal) tomar a decisão. Entre seus ministros, há aqueles que consideram a intervenção a única saída. Mas nem todos pensam assim. Além disso, terá peso a pressão política contrária a ser patrocinada pelo governo Lula.
O fato é que Brasília tornou-se retrato fiel de sua fama de terra sem lei, de faroeste candango, em que o xerife do momento manda no pedaço e faz e acontece na ilha da fantasia. O sonho de alguns espertos, que se utilizam da política para enriquecer e/ou criar feudos no mundo do poder.

Não por outro motivo o projeto original do Distrito Federal foi totalmente distorcido ao longo dos últimos anos. Ficasse dentro do projetado, a região não teria nenhuma serventia a nenhum político. Mas não, veio o processo de inchamento e criação de cidades-satélites, formação de verdadeiros currais eleitorais.

Por fim, num local em que um governador tem peso político quase igual a zero, apenas um enorme poder econômico pode dar a ele alguma chance de voo nacional. Aí, com certeza, está a explicação para tanta bandalheira. E motivo de preocupação para muita gente.

Folha de São Paulo

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Para relaxar ...

OAB pede afastamento ou prisão de Arruda

Ophir Cavalcante, paraense, recém empossado como presidente da OAB nacional, demonstra que não veio para brincar e pede a prisão de José Roberto Arruda, pelo Mensalão do DF.

O Observatório Eleitoral enaltece todas as ações que visem combater a corrupção na política brasileira e parabeniza o presidente da OAB.

Leia a matéria abaixo:


O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, encaminhou nesta terça-feira ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, um pedido de afastamento imediato ou prisão preventiva do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), apontado como chefe do esquema de corrupção conhecido como Mensalão do DF.

Cavalcante argumentou que a permanência de Arruda no governo prejudicará as investigações sobre o escândalo. Ele alegou que o governador estaria realizando manobras para impedir o andamento dos pedidos de impeachment na Câmara distrital. O presidente da OAB afirmou ainda que é "inequívoca" a tentativa do governador de subornar o jornalista Edson Sombra, testemunha na investigação sobre o esquema.

"Tais evidências são claras no que tange às tentativas de obstrução das investigações e cooptação de testemunhas por parte do governador, de modo que é fundamental que essa Procuradoria-Geral da República avalie a possibilidade de requestar o afastamento cautelar do governador para regular instrução processual, na forma do art. 20 da Lei 8429/92, ou mesmo sua prisão preventiva", diz o ofício.

A OAB entrou com ação pedindo indisponibilidade dos bens de Arruda, dos oito deputados distritais e dois suplentes acusados de envolvimento no suposto esquema de pagamento de propina.

Ainda nesta terça, o Ministério Público Federal entrou com ações no Tribual Regional Eleitoral do DF pedindo que Arruda e o deputado distrital Leonardo Prudente - o da propina escondida na meia - percam seus cargos.

Fonte: www.veja.com.br

Comparações / Cartas na mesa

O presidente Lula já conseguiu uma primeira vitória na campanha presidencial, estabelecendo o enfrentamento direto entre o seu governo e o do ex-presidente Fernando Henrique. Ficou inescapável o plebiscito, a não ser que a campanha da senadora Marina Silva, ou uma eventual participação de Ciro Gomes, quebrem essa lógica que está colocada nas pesquisas de opinião

Não dá mais para separar os dois principais candidatos dos governos a que pertenceram.

Resta ao PSDB a tarefa de desconstruir certas afirmações de Lula, mostrando que são ou mentirosas ou fantasiosas. Há um vasto campo a explorar contra o autoritarismo do governo Lula, a esquerdização de certos setores do governo, que tende a aumentar num eventual mandato de Dilma Rousseff o aparelhamento do Estado, trazendo-lhe ineficiência.

E também convencer o eleitorado de que o seu candidato é mais bem preparado do que a candidata oficial para levar adiante um projeto de país que vem dando certo até agora.

Nesse ponto, entrará a parte boa da campanha, na opinião dos tucanos, isto é, a comparação não entre Lula e FH, mas entre Serra e Dilma. O currículo do governador de São Paulo é forte o suficiente para levar vantagem contra o da candidata oficial.

E as comparações entre os dois períodos de governo não são tão favoráveis a Lula que impeçam uma disputa.

Alguns exemplos: no governo Lula, a redução da pobreza foi de 43% de 2003 a 2008, enquanto, no governo Fernando Henrique, ela foi de 18% com o Plano Real. E o aumento real do salário mínimo foi praticamente igual nos dois governos.

A média de crescimento do PIB dos oito anos do governo Fernando Henrique foi de 2,5%, enquanto a do governo Lula, em seu sétimo ano, está em torno de 3,5%, dependendo do número de 2009, que deve ser zero ou negativo.

E deve ficar nesse patamar, sempre abaixo da média do crescimento mundial, com o agravante de que os primeiros anos do governo Lula, antes da crise internacional, foram os mais prósperos do mundo nos últimos tempos.

Não é difícil uma boa campanha de propaganda mostrar a importância dos números na era FH, quando o mundo passou por diversas crises internacionais enquanto o Brasil tentava sair da hiperinflação e organizar sua economia.

O único político da oposição que tem coragem de enfrentar Lula é o ex-presidente Fernando Henrique, talvez porque já derrotou Lula duas vezes no primeiro turno, ou porque não tenha que disputar votos agora.

E certamente porque é o alvo preferencial de Lula nesses seus sete anos e pouco de governo. Toda vez que fala, Fernando Henrique provoca uma reação intensa do governo, e esse debate é bom para a democracia.

O PSDB tem que assumir esse debate sem vergonha de defender um governo que foi um marco importante no desenvolvimento do país.

Se, ao final das contas, o eleitorado achar que a ministra Dilma Rousseff é a melhor candidata para dar continuidade a esse processo de desenvolvimento que o país vem experimentando há 15, 20 anos, então ela será eleita.

O que o PSDB tem que lutar é para convencer o eleitorado de que os avanços de Lula, ao contrário do que ele bravateia, fazem parte de um processo que ele não interrompeu, ao contrário, aprofundou e aperfeiçoou em alguns aspectos.

O que o PSDB não pode é repetir 2002 e 2006, quando os candidatos, tanto Serra quanto Geraldo Alckmin, tentaram se distanciar do governo de Fernando Henrique Cardoso. Desse jeito não há como ganhar a eleição.

De um lado teremos uma candidata que tem orgulho do governo ao qual pertence, e de outro poderemos ter um candidato que tem medo de defender o governo a que pertenceu, e que foi um governo importantíssimo para o país.

Tem razão a ministra Dilma Rousseff quando diz que comparar os dois governos é importante para mostrar qual o caminho que cada candidato pretende seguir no futuro.
Mesmo que não pretendesse, o PSDB vai ter que entrar na campanha disposto a defender o governo Fernando Henrique, mesmo porque o ex-presidente já demonstrou que estará a postos para defender seu legado, mesmo que essa atitude seja considerada desaconselhável como estratégia política.

O ex-presidente Fernando Henrique está disposto a defender sua biografia, mesmo que o partido possa ser prejudicado eleitoralmente.

O que ele pode fazer para não prejudicar ele faz, como, por exemplo, aceitar que o documentário sobre sua cruzada a favor da descriminalização do uso de drogas leves, como a maconha, seja adiado para o próximo ano, para evitar eventuais utilizações eleitorais pelos adversários.

O polêmico assunto, que Fernando Henrique abraçou convencido de que o mundo está no caminho errado ao tentar combater o tráfico de drogas com a repressão policial, como na Lei Seca contra as bebidas alcoólicas nos anos 1930 nos Estados Unidos, já lhe valeu o reconhecimento como um dos cem mais influentes pensadores do mundo atual pela revista Foreign Policy.

Transformar Dilma na marionete de Lula, como fez ontem Fernando Henrique, pode ser um bom começo para mostrar que ela não tem condições de substituir o presidente mais popular do país nos últimos tempos.

Apesar do empenho de Lula, haverá sempre, no decorrer da campanha, espaço para que os candidatos meçam seus conhecimentos e demonstrem sua capacidade de liderança, seja nos debates televisivos, seja em aparecimentos isolados.

A candidata oficial será colocada em exposição pública e ficará claro para o eleitorado se ela é ou não uma simples boneca do ventríloquo Lula.

Se assim for identificada, como parece pretender o PSDB, dificilmente passará a confiança necessária para ser a presidente.

A não ser, é claro, que o que o eleitorado queira seja justamente isso, um terceiro mandato para Lula através de Dilma.

Fonte: O Globo

Comparação: É preciso ver o contexto, dizem especialistas

A comparação dos números dos governos Fernando Henrique e Lula, proposta pelo ex-presidente em artigo publicado no fim de semana, foi questionada por economistas ouvidos pelo GLOBO. Eles analisam que, além de assumirem estratégias diferentes na área econômica, os dois governos conviveram com contextos internos e externos distintos. Sob esse aspecto, alertam, é preciso levar em conta essas diferenças para não contaminar as análises.

Dados levantados pela ONG Contas Abertas, por exemplo, mostram que o governo Lula investiu 15% a mais que seu antecessor nos sete primeiros anos do governo. Incluindo os investimentos das estatais e da União entre 2003 e 2009, o número chega a R$436,4 bilhões (corrigidos pelo IGP-DI), aproveitando a calmaria econômica internacional do meio da década. Já entre 1995 e 2001, o volume foi de R$379,3 bilhões, período em que ocorreram as crises econômicas do México, da Rússia, dos chamados Tigres Asiáticos, do Brasil e da Argentina.

Mas, numa outra comparação em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), os investimentos do tucano foram maiores que os do petista nos quatro primeiros anos de mandato. Apenas entre 2007 e 2009, com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governo Lula ultrapassou o antecessor, registrando investimentos superiores a 2% do PIB, de acordo com o Contas Abertas.

O economista Raul Velloso lembra que Lula ampliou os investimentos devido à "bonança internacional" até a crise de 2008 e à manutenção de uma economia estabilizada. Mas, para ele, Lula é ineficiente no gasto, com uma baixa execução orçamentária. Exemplo dessa situação é que, em 2010, o governo terá R$50 bilhões dos chamados "restos a pagar" do ano passado, quase o mesmo valor de R$57 bilhões para investimentos no Orçamento da União para este ano.

- O governo Lula teve mais folga, mais espaço para investir, mas não investiu tudo o que podia devido à ingerência da máquina. Tem como gastar mais, mas tem menos eficiência - disse Velloso, lembrando que o governo tucano apertou os gastos da máquina para fazer frente às crises, enquanto o governo Lula inflou os gastos, principalmente as despesas de pessoal.

Para o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Leonardo Barreto, os dois governos tiveram orientações ideológicas diferentes, além da situação econômica internacional diferenciada:

- O governo Fernando Henrique teve o trabalho de estabilizar a economia e pegou uma série de crises econômicas que colocaram a economia em xeque. E o governo Lula passou por um período de prosperidade extraordinária. Os dois lados podem usar os números, e haverá uma guerra de números, o que é normal.

O economista Amir Kahir destaca as diferenças de estratégia econômica. Enquanto os tucanos procuraram atrair investimentos privados via privatização, o governo petista focou no aumento do consumo interno.

- As comparações são políticas e relativas - diz.

Ricardo Caldas, professor de Ciência Política da UnB, qualifica a discussão de "artificial":

- O eleitor médio quer saber como ele está hoje em relação há oito anos, se está empregado ou desempregado.

Fonte: Cristiane Jungblut e Gustavo Paul /O Globo

Um novo papel para FHC

O PSDB não pretende esfriar o debate aberto pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que em artigo publicado no fim de semana criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e traçou comparações entre o seu governo e o do petista. Os tucanos decidiram que não fugirão do confronto entre os dois governos, mas deixarão esse papel a FHC, que continuará buscando números, escrevendo artigos ou fazendo pronunciamentos para comparar programas e chamar Lula para a briga.

A ideia é preservar o governador de São Paulo, José Serra, do confronto direito com Lula, que, no entanto, precisa ser feito por alguém, avaliam os tucanos.

– Lula e Fernando Henrique são passado. Serra e Dilma são o futuro. Não vamos cair na isca petista – avisa o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

– O ex-presidente Fernando Henrique vai debater com o Lula e Serra com Dilma – acrescenta o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), para quem esse é o sentido de fazer política “olhando para a frente e não no retrovisor”, como defendeu FHC no artigo.

Ao contrário da estratégia adotada na eleição de 2006, quando o então candidato Geraldo Alckmin se desviou do confronto, deixando que o PT estigmatizasse os tucanos com críticas sobre as privatizações, agora o PSDB quer a queda de braço e encontrou no ex-presidente, figura evitada nos palanques de Alckmin nas eleições passadas, o homem ideal para fazer o contraponto a Lula.

– O Fernando Henrique plantou muito e colheu pouco. O Lula foi espertalhão e colheu muito. Não temos que nos intimidar. O Fernando Henrique vai fazer sempre, tantas vezes quantas forem necessárias, a reposição da verdade. Se deixá-los soltos, vão repetir a mentira à exaustão – alerta o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal.

O artigo do ex-presidente, Sem Medo do Passado, reanimou os tucanos, que estão buscando mais munição para Fernando Henrique. O confronto será pela mídia, mas passará à margem dos espaços destinados à campanha eleitoral, como o horário político gratuito. Bom orador e dono de um texto primoroso, FHC não poderia encontrar melhor espaço para fazer o contraponto a Lula, deixando Serra à vontade para concentrar o debate com Dilma.

Ontem em São Paulo, ele mais uma vez colocou a ministra na alça de mira.

– A Dilma não teve possibilidade de mostrar liderança. Serra inspira confiança e tem liderança, já demonstrada no Ministério da Saúde, na Prefeitura de São Paulo e no governo do Estado. Ela não é líder. É reflexo de um líder – provocou o ex-presidente. Questionado por jornalistas, disse que Lula é, sim, um líder, mas voltou a criticar o presidente.

– Todos achavam que o Lula mudaria tudo. Não mudou. Seguiu em frente no que eu tinha feito. Eu achei bom – ironizou, repetindo o desafio a Lula feito no domingo. – Eleição é futuro. Se quiser, a gente compara. Desde que seja dentro de um contexto, não há o que temer. O deputado Arnaldo Madeira (SP) afirmou que o tom da campanha tucana será propositivo.

Mas, segundo ele, o ex-presidente foi muito atacado por Lula e pelo PT e agora está apenas se defendendo.

– Mas esse não será o tema da campanha eleitoral. O forte será o para onde vamos e como desenvolver o país. O PSDB terá um discurso unificador – adianta Madeira. O deputado lembra que até a Carta ao Povo Brasileiro, que Lula assinou em 2002 para acalmar os mercados, o PT era contra tudo.

– Quando assumiu, foi de forma desonesta, sem ética ou respeito intelectual. O PT passou a atribuir a nós coisas que não falamos, como a privatização da Petrobrás e do Banco do Brasil – observa Madeira.

A estratégia tucana é preservar o governador Serra do debate direto com Lula.

“O que o Lula queria era um atalho para desviar o foco de uma candidata com escassa consistência de confiabilidade José Aníbal (SP) líder do PSDB na Câmara".

“A oposição, frente aos resultados positivos do governo, está sem discurso, só restando a baixaria e o ataque pessoal Ideli Salvatti (PT-SC) líder do governo no Congresso".

Fonte: Vasconcelo Quadros /Jornal do Brasil

Casa Civil refaz site e ministra fica mais visível

A disputa presidencial está cada vez mais visível na internet. A Casa Civil reformulou seu site e passou a disponibilizar vídeos, discursos, fotografias, agendas e entrevistas da ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência. O banco de imagens do site contava até a tarde de ontem com 51 fotos e 10 vídeos da ministra em eventos oficiais pelo País.

Embora a campanha de Dilma tenha sido antecipada no ano passado pelo presidente Lula, a ofensiva na internet estava atrasada. Nos últimos meses, outros presidenciáveis passaram a investir na rede. O governador José Serra (PSDB) já postou 1.400 mensagens no microblog Twitter, alcançando 163 mil seguidores. Marina Silva (PV-AC) e Ciro Gomes (PSB-CE) também entraram no Twitter. Marina ainda lançou um blog.

As fotos exibidas no site da Casa Civil mostram Dilma mais descontraída. Em uma dessas imagens, ela aparece com um boné vermelho na cabeça ao lado de moradores de um bairro pobre de Porto Alegre. A imagem guarda semelhanças com fotos tradicionais de viagens de Lula pelos grotões. A Casa Civil conta agora com um fotógrafo oficial, Paulo H. Carvalho, responsável pelas imagens da ministra. Não há no site, porém, fotos de Dilma em eventos do PT.

A biografia é curta. Não há referências ao período da ditadura, quando ela participou da resistência ao regime militar. O breve currículo destaca que a economista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul foi secretária da Fazenda de Porto Alegre, secretária de Estado de Energia e ministra de Minas e Energia no governo Lula.

Fonte: Tânia Monteiro /O ESTADÃO

Tiroteio

"Se o Alencar é tão boa solução para Minas, como sugere o Planalto, por que não o lançam à Presidência? Seria melhor do que a Dilma."
Do deputado ONYX LORENZONI (DEM-RS), sobre a articulação para tentar fazer do vice o candidato da base lulista ao governo mineiro.

"Não e não."
Na contramão do agito, a família de Alencar, preocupada com sua saúde, não quer nem ouvir falar em candidatura ao governo.

Fonte: Folha de São Paulo